Lava
"Magma que atingiu a superfície da Terra através de uma abertura vulcânica."
Lava é rocha fundida que rompeu a superfície da Terra através de uma abertura ou fissura vulcânica. Enquanto está abaixo da crosta, este material fundido é denominado magma; após a erupção, é reclassificado como lava. Esta distinção é crucial na geologia não apenas por semântica, mas porque a perda de gases dissolvidos ao atingir a superfície altera fundamentalmente as propriedades físicas do material e determina se a erupção será efusiva (fluxos tranquilos) ou explosiva (explosões violentas).
A lava é, na sua essência, o material formador de continentes e ilhas oceânicas — a substância com que a Terra renova a sua superfície.
Composição Química e Classificação
A lava é composta principalmente por minerais de silicato, e o seu comportamento é ditado pelo seu teor de sílica (SiO₂). Os geólogos classificam a lava em três tipos químicos principais, baseados na percentagem de sílica:
- Félsica (Riolítica): Alto teor de sílica (>63%). Estas lavas são extremamente viscosas (espessas) e têm temperaturas relativamente baixas (650°C a 800°C). Como aprisionam gases facilmente, são frequentemente associadas a erupções explosivas violentas em vez de fluxos fluidos. Cor tipicamente clara (rosada, cinzenta, branca).
- Intermédia (Andesítica): Teor moderado de sílica (52% a 63%). Comuns em estratovulcões de zonas de subducção, os fluxos de lava andesítica são espessos e em blocos, frequentemente não viajando longe da abertura. São responsáveis por muitas das grandes erupções históricas.
- Máfica (Basáltica): Baixo teor de sílica (45% a 52%) e rica em ferro e magnésio. Estas lavas são as mais quentes (1000°C a 1200°C) e as menos viscosas, permitindo que fluam rapidamente por vastas distâncias. Constroem os grandes vulcões em escudo e cobrem a maioria dos fundos oceânicos.
Reologia e Viscosidade
A viscosidade da lava — a sua resistência ao fluxo — é a sua propriedade física mais significativa. Determina a forma do vulcão e o estilo de erupção. A viscosidade é governada por três factores principais:
- Composição química: A sílica cria ligações poliméricas longas no fundido, aumentando a viscosidade. O ferro e o magnésio quebram essas ligações.
- Temperatura: Lava mais quente é menos viscosa. Uma descida de 100°C pode aumentar a viscosidade em ordens de magnitude.
- Teor de gás: Os gases dissolvidos “lubrifcam” o magma. Uma vez desgaseificada, a lava torna-se mais viscosa.
A diferença de viscosidade entre a lava basáltica e a riolítica é astronómica: a lava basáltica do Havaí tem uma viscosidade semelhante ao mel quente; a lava riolítica pode ser tão viscosa como o alcatrão frio — dezenas de milhares de vezes mais espessa.
Tubos de Lava
À medida que a lava arrefece, a sua estrutura interna permite que o núcleo permaneça quente e fluido enquanto a crosta endurece. Formam-se assim tubos de lava — condutas naturais que isolam o fluxo do ar frio exterior, permitindo que a lava viaje dezenas de quilómetros da fonte sem arrefecer significativamente. Esta eficiência é a razão pela qual os vulcões em escudo, construídos a partir de lava basáltica fluida, têm encostas tão largas e suaves.
Os tubos de lava abandonados — com diâmetros de 1 a mais de 20 metros e comprimentos de até 65 km — são alguns dos maiores sistemas de cavernas do mundo. O Tubo de Lava de Kazumura no Havaí tem mais de 65 km de comprimento.
Morfologias: Texturas de Superfície
A forma como a lava solidifica cria texturas de superfície distintas. Os termos havaianos para estas texturas tornaram-se padrão universal na vulcanologia:
Pahoehoe
Caracterizada por uma superfície lisa, ondulada ou semelhante a uma corda. O pahoehoe forma-se a partir de lava quente e fluida com baixa taxa de saída. À medida que a pele solidifica, o fluxo contínuo por baixo arrasta-a em dobras paralelas semelhantes a cordas retorcidas. O interior permanece fluido durante horas, permitindo que a lava avance por baixo da crosta como pasta de dentes espremida de um tubo.
‘A’a (pronuncia-se “ah-ah”)
Uma superfície áspera, irregular e fragmentada composta por blocos de lava soltos e quebrados chamados clinkers. O ‘a’a forma-se quando a lava é ligeiramente mais fria ou tem uma taxa de descarga mais alta — a crosta quebra-se em pedaços afiados à medida que o núcleo de movimento mais rápido a arrasta. Atravessar ‘a’a a pé — com os seus blocos irregulares de vidro volcânico afiado — pode ser extremamente difícil e lesivo.
A mesma erupção pode produzir tanto pahoehoe como ‘a’a em diferentes locais do fluxo: nas encostas íngremes o fluxo acelera e fragmenta; nas planícies abrandá e suaviza.
Lava em Almofada (Pillow Lava)
Criada quando a lava entra em erupção debaixo de água. O arrefecimento extremamente rápido faz com que a lava seja extrudida em lóbulos arredondados em forma de almofada, cada um com uma crosta vítrea rapidamente formada. Este é o tipo mais comum de formação de lava na Terra, cobrindo a grande maioria do fundo do oceano — as dorsais meso-oceânicas produzem lava em almofada continuamente. Encontrar pillow lavas em rochas terrestres indica que essas rochas se formaram debaixo de água — uma pista valiosa para reconstruir geografias antigas.
Lava em Blocos
Comum em fluxos andesíticos ou riolíticos, onde a lava é demasiado espessa para formar clinkers irregulares. Em vez disso, fratura-se em blocos maciços de lados relativamente lisos, com um interior ainda quente e fluido empurrando os blocos para a frente como uma correia de tanque.
Velocidades e Comportamento em Campo
A velocidade de um fluxo de lava depende da sua viscosidade e da inclinação do terreno:
- Lava basáltica em encosta íngreme: até 60 km/h (raramente)
- Lava basáltica em terreno plano: tipicamente 0,5 a 5 km/h
- Lava andesítica: centímetros a metros por hora
- Lava riolítica (domos): milímetros por dia a metros por mês
Em 1977, no Monte Nyiragongo (RD Congo), a ruptura das paredes da caldeira libertou a lava do lago — de composição excepcionalmente fluida — que desceu as encostas a velocidades estimadas de até 60-100 km/h, matando mais de 70 pessoas que não conseguiram escapar.
O Ciclo de Vida da Lava: Construção e Fertilidade
Após a erupção, a lava actua como uma força construtiva fundamental:
- Construção terrestre: Adiciona nova massa terrestre a ilhas e continentes. O Havaí é inteiramente feito de lava empilhada ao longo de milhões de anos. Novas terras continuam a ser criadas — a erupção de 2018 do Kīlauea adicionou mais de 3 km² de nova terra ao oceano Pacífico.
- Fertilidade do solo: Ao longo de escalas de tempo de décadas a milénios, o intemperismo da lava basáltica produz alguns dos solos mais férteis do planeta, ricos em ferro, magnésio, fósforo e micronutrientes. Os solos vulcânicos (andossolos) cobrem apenas cerca de 1% da terra emersa, mas sustentam cerca de 10% da população mundial. As vinhas do Monte Etna, os cafezais das encostas do Kilimanjaro e as plantações de café do Havaí são famosos pela excepcional qualidade dos seus produtos.
- Arrecifes e habitats: Fluxos de lava submarinos criam habitats complexos colonizados rapidamente pela vida marinha.
Perguntas Frequentes
Qual é a diferença entre lava e magma? A única diferença é a localização: ambos são a mesma rocha fundida. Enquanto está abaixo da superfície, é magma. Assim que emerge, chama-se lava. A transição altera quimicamente o material porque os gases dissolvidos no magma escapam para a atmosfera.
A lava pode atravessar o oceano? Sim, embora raramente chegue muito longe. A lava resfria e solidifica ao entrar em contacto com a água, mas pode avançar vários quilómetros ao longo do fundo oceânico quando aquecida por nova lava seguinte.
Termos relacionados: Magma, Basalto, Vulcão em Escudo, Fluxo Piroclástico, Pahoehoe, Viscosidade