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Mount Taranaki: O Cone Perfeito da Nova Zelândia - Lendas, Cinema e a Floresta dos Goblins

Descubra o Monte Taranaki, o sentinela isolado da Ilha do Norte. Explore a lenda Māori da sua batalha com Tongariro, o seu papel como dublê do Monte Fuji e a mística Floresta dos Goblins.

Localização Região de Taranaki, Ilha do Norte, Nova Zelândia
Altura 2518 m
Tipo Estratovulcão
Última erupção 1755 (Aprox.)

O Monte Taranaki (também conhecido como Monte Egmont) é talvez o cone vulcânico mais simétrico do mundo. Erguendo-se em esplendor solitário a partir das planícies férteis da costa oeste da Nova Zelândia, este estratovulcão de 2.518 metros (8.261 pés) é uma anomalia geográfica e um ícone cultural. Para o povo Māori, ele é um ancestral; para os geólogos, é um gigante adormecido mas perigoso; e para Hollywood, é o “dublê” perfeito para o Monte Fuji do Japão. O seu isolamento e a sua forma quase perfeita tornam-no um dos marcos mais fotografados e reverenciados do Hemisfério Sul.


1. O Sentinela Solitário: Contexto Geográfico

O Monte Taranaki ergue-se sozinho, separado dos outros grandes picos vulcânicos da Ilha do Norte. Ao contrário do conjunto de vulcões no Planalto Central (Tongariro, Ngauruhoe e Ruapehu), Taranaki está localizado numa península que se projeta no Mar da Tasmânia. Este isolamento faz com que pareça ainda mais alto e imponente do que os seus 2.518 metros sugeririam. É o membro mais jovem e ativo de um lineamento vulcânico que inclui os remanescentes mais antigos e erodidos das serras de Pouakai e Kaitake a noroeste.

A região circundante, também chamada Taranaki, é definida pela influência da montanha. O solo vulcânico é incrivelmente rico, sustentando uma próspera indústria de lacticínios que circunda a base do pico. Do ar, a fronteira do Parque Nacional de Egmont é um círculo perfeito de floresta verde-escura cercada por terras agrícolas verde-claras — um testemunho visível do legado protetor e destrutivo da montanha.


2. Lenda Māori: A Batalha por Pīhanga

Para as iwi (tribos) Māori locais, o isolamento da montanha é explicado através de um conto comovente de amor e guerra. Em tempos antigos, a lenda diz que todas as grandes montanhas da Ilha do Norte viviam juntas no planalto central.

A Grande Batalha

Taranaki foi outrora vizinho de Tongariro, Ruapehu e Ngauruhoe. No centro deles vivia a bela montanha coberta de arbustos, Pīhanga. Tanto Taranaki como Tongariro apaixonaram-se profundamente por Pīhanga, levando a uma batalha titânica entre os dois gigantes. Fumo, fogo e trovão encheram os céus enquanto as montanhas lutavam pela sua afeição.

A Retirada

Finalmente, Tongariro saiu vitorioso. Devastado e com o coração partido, Taranaki decidiu fugir. Moveu-se para oeste, esculpindo a trincheira profunda do Rio Whanganui à medida que avançava, com as suas lágrimas a encher o vale. Acabou por chegar à costa e virou para norte, parando na sua localização atual. A lenda diz que Taranaki ainda esconde a sua cabeça nas nuvens até hoje, lamentando o seu amor perdido. Esta mitologia informa a natureza tapu (sagrada) do pico; não é apenas uma montanha, mas um membro deslocado da família da tribo vulcânica central.


3. O Conflito do Nome: Egmont vs. Taranaki

A nomeclatura da montanha tem sido uma fonte de tensão histórica por mais de dois séculos. Em 1770, o Capitão James Cook avistou o pico do mar e nomeou-o Monte Egmont em honra do Conde de Egmont, um antigo Primeiro Lorde do Almirantado.

Nomeação Colonial

Durante grande parte dos séculos XIX e XX, “Monte Egmont” foi o nome oficial utilizado pelos colonos europeus e nos mapas internacionais. No entanto, os Māori nunca abandonaram o nome Taranaki (tara significando pico de montanha e naki provavelmente significando brilhante ou branco).

Restauração da Identidade

Nas últimas décadas, um movimento para reclamar os nomes indígenas levou a uma mudança significativa. Em 1986, o governo deu oficialmente à montanha dois nomes: “Monte Taranaki ou Monte Egmont”. Este foi um compromisso que permitiu às pessoas escolher. No entanto, em 2017, a Coroa e os iwi locais chegaram a um acordo histórico para conceder à montanha personalidade jurídica, semelhante ao Rio Whanganui. Hoje, é cada vez mais referido simplesmente como Taranaki Maunga, e o seu estatuto de ancestral sagrado é legalmente reconhecido pela lei da Nova Zelândia.


4. Simetria Geológica: O Cone Quase Perfeito

Geologicamente, Taranaki é um exemplo clássico de um estratovulcão andesítico. A sua forma simétrica é o resultado de milhares de anos de erupções rítmicas que depositaram camadas de lava e cinzas uniformemente ao redor da chaminé central.

Um Vulcão “Jovem”

Embora a atividade vulcânica na região tenha começado há milhões de anos, o cone atual de Taranaki começou a formar-se há apenas cerca de 135.000 anos. É considerado um vulcão ativo mas “dormindo”. A sua história é marcada por colapsos e reconstruções massivas. Aproximadamente a cada 500 anos, a montanha sofre uma erupção de grande escala, frequentemente acompanhada por lahars (lamas vulcânicas) catastróficos que moldaram as planícies de Taranaki.

O Pico “Gémeo”: Fanthams Peak

No flanco sul da montanha situa-se o Fanthams Peak (Panitahi), um cone secundário que atinge os 1.966 metros. Embora apareça como um pico distinto, é um cone parasita ligado ao sistema magmático principal. A presença deste “ombro” contribui para o perfil único da montanha, especialmente quando vista do sul.


5. A Floresta dos Goblins: Vida na Névoa

Uma das características mais encantadoras do Parque Nacional de Egmont é a Floresta dos Goblins, encontrada nas altitudes médias da montanha. Devido à elevada pluviosidade e às névoas frequentes que Taranaki captura do Mar da Tasmânia, a floresta desenvolveu uma aparência de outro mundo.

As Árvores Kāmahi

A floresta é dominada por árvores Kāmahi (Pterophylla racemosa), que crescem em formas retorcidas e nudosas. Muitas destas árvores começaram as suas vidas como epífitas, crescendo nos troncos de outras árvores (frequentemente Totara ou Rimu) que tinham caído durante eventos vulcânicos. À medida que a árvore hospedeira apodrecia, a Kāmahi ficava suspensa nas suas raízes em “estaca”, criando um efeito assustador e esquelético.

Um Mundo de Musgo

Cada superfície na Floresta dos Goblins está coberta por espessos musgos verde-esmeralda, líquenes e fetos. A atmosfera húmida e silenciosa parece algo saído de um conto de fadas ou de um romance de fantasia. Este ecossistema é o lar de aves únicas da Nova Zelândia, como o Pisco-da-ilha-do-norte (Toutouwai) e o Pássaro-sino (Korimako), cujos cantos são os únicos sons nas profundezas enevoadas dos bosques.


6. A Montanha Favorita do Cinema: O Dublê do Monte Fuji

A semelhança notável do Monte Taranaki com o Monte Fuji do Japão tornou-o um local favorito para cineastas internacionais. O seu cone é tão semelhante em perfil ao Fuji que tem sido utilizado como dublê em inúmeras produções.

O Último Samurai

O exemplo mais famoso é o filme de 2003 “O Último Samurai”, protagonizado por Tom Cruise. A equipa de produção passou meses na região de Taranaki, transformando a paisagem no Japão do século XIX. A montanha apresenta-se com destaque no fundo de muitas cenas, parecendo tão convincente que o público assume muitas vezes que o filme foi filmado inteiramente no Japão rural. Esta ligação trouxe um fluxo constante de turistas que querem ver o “Fuji do Sul”.


7. Escalada e Segurança: Uma Beleza Traiçoeira

Apesar da sua aparência convidativa, o Monte Taranaki é uma das montanhas mais perigosas da Nova Zelândia. O seu isolamento significa que cria o seu próprio microclima, e as condições meteorológicas podem mudar de céus azuis para nevascas fatais em questão de minutos.

A Rota do Cume

A Rota do Cume (Summit Track) é uma caminhada de um dia popular mas exaustiva. É uma escalada não técnica no verão, mas envolve a subida de encostas íngremes de cascalho (rocha vulcânica solta) e a travessia de um campo de gelo permanente perto da cratera. Para muitos, o ponto alto é chegar ao cume e ver a sombra da montanha projetada sobre as nuvens ou sobre o Mar da Tasmânia ao amanhecer.

Um Aviso para os Escaladores

Devido à sua acessibilidade, muitos caminhantes inexperientes subestimam o Taranaki. Ele causou mais mortes do que qualquer outro pico individual na Nova Zelândia. O “factor Egmont” — o início rápido de gelo e ventos fortes — apanhou muitos desprevenidos. Equipamento adequado, incluindo crampons e piolets no inverno, é essencial.


8. Perguntas Frecuentes (FAQ)

O Monte Taranaki está ativo?

Sim, o Monte Taranaki é um vulcão ativo, atualmente num estado adormecido. A sua última erupção significativa ocorreu por volta de 1755. Os vulcanólogos monitorizam o pico de perto, já que se espera que entre em erupção novamente. O intervalo médio entre grandes erupções é de aproximadamente 500 anos, o que significa que está tecnicamente “na hora” de ter atividade nos próximos séculos.

Como surgiu o nome “Egmont”?

O nome foi dado pelo Capitão James Cook em 1770 para honrar o Conde de Egmont. Embora tenha sido o nome oficial nos mapas por quase 200 anos, foi agora largamente substituído pelo nome Māori original, Taranaki.

É possível escalar a montanha num dia?

Sim, o cume pode ser alcançado numa caminhada de um dia (8-10 horas ida e volta) por pessoas em boa forma física durante os meses de verão (dezembro a abril). No entanto, no inverno, é um desafio de alpinismo técnico que só deve ser tentado por pessoas com experiência alpina e equipamento adequado.

Por que a floresta é circular?

Quando o Parque Nacional de Egmont foi estabelecido em 1881, o governo definiu a sua fronteira como um círculo perfeito com um raio de seis milhas (aprox. 9,6 km) a partir do cume. Isto criou um “halo” circular de floresta distinto que pode ser visto claramente em imagens de satélite, contrastando nitidamente com as terras agrícolas circundantes.

O que é a “Floresta dos Goblins”?

“Floresta dos Goblins” é uma alcunha para a floresta tropical subalpina da montanha, caracterizada por árvores Kāmahi retorcidas e musgo denso. As formas nudosas das árvores e o nevoeiro espesso dão à área uma atmosfera mística, parecida com a de duendes.


Especificações Técnicas

CaracterísticaDados
Altitude2.518 m (8.261 pés)
Índice de SimetriaUm dos mais altos do mundo
Última Grande Erupção~1755 d.C.
Parque NacionalParque Nacional de Egmont (Est. 1900)
Estatuto OficialMaunga (Montanha) com personalidade jurídica
Ponto mais alto emRegião de Taranaki

O Monte Taranaki é um lugar de contrastes profundos — um cenário rural pacífico que esconde um passado violento, um ancestral sagrado que exige respeito e uma estrela de cinema que continua a cativar observadores de todo o mundo. Quer esteja a explorar as suas profundezas “goblin” ou a apontar para o seu cume gelado, Taranaki oferece uma experiência que é exclusivamente Neozelandesa.

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