Mount Damavand
O pico mais alto do Médio Oriente e o vulcão mais alto da Ásia. Um lugar de mitos persas, fumo de enxofre eterno e a lendária prisão do dragão Zahhak.
Mount Damavand é a jóia da coroa do Irão. Erguendo-se majestosamente a 5.609 metros, não é apenas o pico mais alto do Irão, mas também o vulcão mais alto de toda a Ásia. Localizado na cordilheira Alborz, perto da costa sul do Mar Cáspio e apenas 66 quilómetros a nordeste de Teerão, o seu cone perfeito coberto de neve é visível da capital em dias claros, erguendo-se como uma sentinela sobre a história da nação.
Para os alpinistas, o Damavand é um prémio de prestígio. Faz parte do circuito dos “Sete Cumes Vulcânicos” e apresenta um sério desafio de alta altitude. Mas o Damavand é mais do que apenas uma montanha; é um símbolo da resistência iraniana, uma peça central da poesia persa e uma maravilha geológica que está muito viva.
O Teto do Médio Oriente
A proeminência do Damavand é impressionante. Eleva-se abruptamente da paisagem circundante, dominando o horizonte.
- Estatuto de Altura: Embora exista algum debate sobre se é mais alto do que o Monte Elbrus (dependendo de onde se traça a fronteira Europa/Ásia), o Damavand é indiscutivelmente o pico mais alto do Médio Oriente e da Ásia Ocidental.
- A Forma: É um estratovulcão clássico com uma forma cónica quase perfeita, que lembra o Monte Fuji no Japão. Esta simetria torna-o um ícone de beleza na arte e literatura persas.
A Prisão do Dragão: Mito e Lenda
Na mitologia persa, o Damavand não é apenas rocha e gelo; é uma prisão.
- Zahhak (Aži Dahāka): De acordo com o Shahnameh (Livro dos Reis) do poeta épico Ferdowsi, o rei-dragão de três cabeças Zahhak tiranizou o mundo durante mil anos. Tinha serpentes a crescer nos ombros que precisavam de ser alimentadas diariamente com cérebros humanos.
- A Vitória de Fereydun: O herói Fereydun derrotou Zahhak, mas foi avisado pelos anjos para não o matar, pois a sua morte libertaria monstros no mundo. Em vez disso, Fereydun acorrentou a besta dentro de uma caverna nas profundezas do Monte Damavand.
- Luta Eterna: A lenda diz que Zahhak ainda lá está, preso por pesadas correntes. O fumo que se eleva do cume diz-se ser o seu hálito furioso, e os sons estrondosos são as suas tentativas de se libertar. Profetiza-se que escapará no fim dos tempos, apenas para ser morto pelo herói Garshasp.
A Subida: Para a Zona de Enxofre
Escalar o Damavand é um teste de resistência e aclimatação. Existem pelo menos 16 rotas conhecidas para o cume, mas a Rota Sul é a mais popular e estabelecida.
A Rota Sul
- Goosfand Sara (Acampamento Base): A viagem geralmente começa em Goosfand Sara (3.040 m), onde uma pequena mesquita e um curral marcam o início da caminhada. No verão, veículos 4x4 podem chegar a este ponto.
- Bargah Sevom (A Terceira Corte): O principal acampamento de altitude fica em Bargah Sevom (4.220 m). Aqui, os alpinistas encontram a “Cabana Antiga” e um complexo de pedra mais recente e maior construído em 2008. Esta é a plataforma de lançamento para o cume. Muitas vezes está lotado, repleto de alpinistas de todo o mundo a beber chá e a preparar-se para o frio.
- A Cascata Congelada: A aproximadamente 5.100 metros, os alpinistas passam pela “Queda de Gelo” (Abshar-e Yakhi). Esta cascata única está congelada durante a maior parte do ano, um marco cintilante que sinaliza que o esforço final e mais difícil está a começar.
A Colina de Enxofre (Doud-Kuh)
As últimas centenas de metros são as mais esgotantes, não apenas pelo ar rarefeito, mas pelo próprio vulcão.
- Fumarolas: Logo abaixo da cratera do cume encontra-se a “Colina de Enxofre”. O solo aqui torna-se um verde-amarelo doentio, e as aberturas expelem nuvens espessas de gás dióxido de enxofre.
- O Perigo: Dependendo da direção do vento, este gás pode ser sufocante. Os alpinistas muitas vezes precisam de cobrir o rosto com lenços húmidos ou até usar máscaras de gás. O cheiro a ovos podres é avassalador, e o gás queima a garganta e os olhos, tornando os últimos passos uma batalha mental e física contra o hálito tóxico da montanha.
Geologia: Um Gigante Adormecido
O Damavand é um vulcão adormecido com um coração inquieto.
- Atividade: Embora não tenha havido erupção na história registada (a última grande erupção foi provavelmente há cerca de 7.300 anos), a intensa atividade fumarólica prova que uma câmara de magma ainda está a arrefecer abaixo da superfície.
- Fontes Termais: O calor vulcânico alimenta numerosas fontes termais nos vales abaixo, particularmente na cidade de Larijan. Estas águas ricas em minerais são famosas pelas suas propriedades terapêuticas e são uma forma popular para os alpinistas acalmarem os músculos após um cume bem-sucedido.
Flora e Fauna
Apesar do ambiente hostil, a montanha abriga uma vida única.
- Papoila de Damavand: Entre 2.000 e 3.500 metros, pode encontrar a Tulipa humilis, muitas vezes chamada de Papoila de Damavand. As suas pétalas vermelhas brilhantes pintam as encostas inferiores no final da primavera.
- Vida Selvagem: As encostas são habitadas por ursos pardos, leopardos, tartarugas gregas e águias reais. O isolamento dos altos picos oferece um santuário para estas espécies.
Logística Prática
- Vistos: A maioria dos visitantes precisa de um visto para entrar no Irão. Os regulamentos mudam frequentemente, por isso verifique os requisitos mais recentes para a sua nacionalidade.
- Permissões: É necessária uma permissão de escalada (50 USD) para alpinistas estrangeiros. Esta taxa contribui para a manutenção dos abrigos e a preservação da montanha.
- Guias: Embora os alpinistas experientes possam escalar de forma independente, contratar um guia local é altamente recomendado. Não só apoia a economia local, como os guias iranianos são lendários pela sua hospitalidade e conhecimento dos microclimas da montanha.
- Mulheres Alpinistas: O Irão é um país conservador, mas as mulheres alpinistas são muito bem-vindas. Nas cidades, um lenço na cabeça (hijab) e roupas modestas são exigidos. Na montanha, o equipamento de montanhismo padrão cobre tudo de qualquer maneira, e a atmosfera é prática e focada no desporto.
Conclusão
Mount Damavand é um lugar onde as lendas respiram. É um desafio físico que o recompensa com vistas que se estendem até ao Mar Cáspio e aos vastos desertos do planalto iraniano. Mas mais do que isso, é uma viagem à alma da Pérsia. De pé no cume manchado de enxofre, ouvindo as aberturas sibilantes, quase se consegue ouvir as correntes de Zahhak a chocalhar nas profundezas. É um lembrete de que no Irão, a história, o mito e a natureza nunca estão muito distantes.